sexta-feira, 15 de junho de 2007

Faces da Morte

Fiquei pensando na cabeça pendendo para baixo de Ayrton Senna. "Ele mexeu a cabeça!", lembro de ouvir isso. Bom. Coisas de TV.
(in)Felizmente, não temos filmagens do acidente de James Dean. Ou do tiro em Lennon. Verei todos os meus ídolos morrendo em pay-per-view. Que ótimo! Com comentários em 5.1, ângulos diversos. Nada mais de 4 canais.
Li em algum lugar, Lennon: "Elvis morreu quando foi pro exército", ou algo assim. Bom, era numa entrevista, quando questionado sobre a morte de Elvis, em 77. Você congela uma figura na sua mente, e aquela torna o símbolo que te marca.
Estava eu, vendo uma corrida num domingo, e ouvi "curva Senna". Não era num GP do Brasil. Acho que era Canadá. Aí pensei, 'bem, realmente maior do que eu pensava". Senna se tornou símbolo de um esporte, como Pelé para o futebol. E o Schumacker?
Pensei que o porque que Senna sempre seria lembrado; sua morte, enquanto Schumacker, apesar de longe das pistas, está 'vivo'. Daí, lembro dos Beatles. Sempre maiores. Porque acabaram? Outras bandas acabaram também. Porque John Lennon morreu? Seria uma comparação com Senna lógica, mas Pelé está vivo. Existiu, existe, alguém no nível de Pelé? Até onde sei, não. E Senna?
Senna, em sua época, corria contra Alain Prost, Piquet, Manssell, entre outros. Estes também são lembrados como grandes. Daí, por mais estranha que seja a comparação, Beatles.
Não estou comparando Senna com Beatles, só a lógica. Nem posso dizer que sou fã de Ayrton Senna, nem tanto de automobilismo. Acho interessante, no máximo. Mas o que ando pensando é: Porque diabos os Beatles são os maiores? E, ponto final? Porque eles (con)corriam com os melhores adversários. Sim, a disputa era mais intensa. Na verdade, foi quando somente ouve disputa.


Marketing? Sim, os Stones são o maior exemplo disso. Mas só Stones e Beatles existiam nos anos 60, como tenta vender em coletâneas e propaganda as instuições falidas de nome "Gravadoras"?
Não, meu amigo. O consenso da verdadeira disputa era BeatlesxBeach Boys, aqueles garotos divertidos com pranchas de surfe e cabelo que não sentia cheiro de água do mar nunca. Brian Wilson viu Deus no Rubber Soul dos Beatles (eu demorei um disco dos Beatles a mais, mas é por isso que Brian Wilson é gênio e eu sou mortal). E dali empreendeu sua busca pelos anjos que culminou em um disco terminado somente 40 anos depois. Os Beatles eram realmente demais, hun?
'Ah, que nada, eu prefiro os Stones', diria meu tio. 'Beatles faziam canções para garotas'. Bom foi a foto que ficou na mente dele. Iêiêiê. Não percebeu ele que os Stones só descobriram o SEU som, no Beggar's Banquet, isso em 68. E que disco!, melhor ainda o que viria depois, pelo menos até 72, e que influenciou muita gente (Aerosmith e uma penca de bandas setentistas).
Influência tão grande quanto a de Ray Davies e os Kinks, que apesar de serem vendidos como "You Really got Me", vão muito, mas muito além. Vê isso? Duraria páginas e páginas de lixo de web, para mostrar o óbivo: que concorrência!!!
Com quem (con)corria um Nirvana? U2? Strokes? "Ah, poxa. Parece até que não haviam outras bandas tão boas quanto, senão melhores que essas em sua época. Sim. Haviam muitas. Mas de um tempo em que a repetição, o sample, faz com que o 'já ouvi isso antes' se torne recorrente demais. Parece que você tem todas as possiblidades técnicas possíveis pra fazer algo melhor. E não vai fazer. As artes plásticas estão presas faz 80 anos em Duchamp. Ele ri demais.
Todas as atitudes musicais do universo pop estão presas à adoração ou negação dos Beatles. Aquela coisa toda de 3 minutos, que faz você pular, sorrir, chorar. Vai ser transmitida de todas as formas, em efeitos, baixada em 4 mega. Há! A música pop morreu, e seu último registro foi em 4 canais. A foto desse momento, é um 'smile brianwilsiano' da Gioconda, feito em Paintbrush, 40 anos depois, jogado na web.



Duchamp ri.
Lennon ri mais ainda.

"A day in the life".


p.s.: acho que o Senna perderia para o Schumacker. E o Paul é o meu Beatle favorito.

Um comentário:

Wandecy disse...

Alguém já escreveu que "é impossível exagerar os Beatles porque eles já são o próprio exagero".

Wandecy Medeiros