segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

1992

"Baby let me show you how to do dis
you ve gotta move this"
Hehe. Pois é.
Em 1990, 91, a onda era isso aí. Não vou ser metido a besta de dizer que aos 11 eu ouvia Bob Dylan 24 horas por dia. Conhecia Dylan, mas ainda não CONHECIA Dylan. Tem uma diferença aí. Mas eu tinha 11 anos. Com 11 anos eu queria andar de bicicleta, jogar bola e ouvir Technotronic. Haha. Curtia também Faith no More, e já odiava Guns'n'Roses. Culpe as garotas com pastas-fichário por isso.
1992. A revolução.
Você pode pensar: "lá vem ele falar de nirvana, grunge, pearl jam..."
Nirvana foi legal pacas, mas pra caras com mais de 15, talvez mais. Eu tinha 12. E se você perguntar pra algum moleque da época, mesmo os de 15, todos vão lembrar do verão de 92 como o verão de Street Fighter! Isso mesmo, Street Fighter, o fliperama.
"youve gotta move this youve gotta move this"
O Grunge serviu de ótima trilha sonora, claro, mas digito aqui uma época em que isso era um fundo, ambient (me perdoe Brian Eno), mas na época, nada fez mais efeito na cabeça da molecada que aquele joguinho japonês. Nada. Música? Garotas? Fumo? Skate? Legal, mas nada fez mais "vítimas". Eu fui uma. Tomei pau na sexta série. Minha mãe dava a grana do lanche e do ônibus. Chegava a ir a pé (quando ia) pro bairro da escola pra poder comprar mais fichas. O do lanche era certo. Em 1992 devo ter comido 2 coxinhas e um refri, no máximo.
"People dont you know...."
Era sensacional; a trilha que ia ficando mais rápida a partir da perda de sangue dos lutadores, os gráficos chamavam atenção na época, jogabilidade, e, o principal: a socialização. Street Fighter fazia os caras de 11 serem iguais aos de 15 (pelo menos em circunstâncias favoráveis, dependendo era melhor não jogar contra o cara ou deixá-lo ganhar, rs), o filhinho da mamãe podia desafiar o moleque de rua, ou vice-versa: a ficha era uns 20 centavos hj, coisa que o moleque de rua "arranjava" fácil, isso não importava: bom era o cara que tinha a manha, sabia dar os golpes, "tirava" a ficha do oponente. Aí, na boa, o cara bom se exibia, tinha moral entre os caras, algumas garotas até davam mole pro sujeito, hehe. E o cara bom tomava pau na escola. Aconteceu com metade da minha turma. Sério.
No fim do ano, com o ano perdido, e outros jogos aparecendo, o grunge já explodindo os Poison e Mc Hammer, o "sonho" tinha acabado. Era o fim da infância, adolescência recheada de espinhas ali em dezembro. Dylan podia esperar.

"People dont you know, dont you know...."

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Hang the DJ


O cara agora é dj.
O cara agora é videomaker.
Entre a turminha moderninha, ter uma dessas duas "profissões" é prova de alguém que REALMENTE importa. Menos, bem menos.
Teve um tempo que o cara bacana era o cara que tinha banda.
Guitar Hero, hou! Sabe aquele visual "largado", tipo guns'n'roses?
Esse mesmo.
Não mudou nem pra pior nem pra melhor, continuou patético.
E fraco.
Em qualquer clã, turma, gueto, ou nomenclatura que valha, e isso é instintivo, tem-se sempre a indicação da figura que sobressai. É o alfa. O rei da selva. O garanhão.
Leões demandam liderança e presença. A tendência do mais "forte" na selva é uma melhor qualidade de vida, apontada a partir de melhores frutos.
Seres humanos são péssimos pra entender essa parte, vide nazismo, entre outros "ismos".
Talvez por não saberem muito bem demandar a função de um "ponto direcional" entre seus pares, as figuras de "dj" e "videomaker", na grande maioria das vezes, seja tão burra.
Eles, em sua imensa maioria, não são exatamente os melhores (na grande maioria das vezes nem bons são, e nem me venha com a desculpa fácil e esfarrapada de: "isso é de acordo com gosto"), e, no máximo, tem um conhecimento básico do que estão fazendo. E pra disfarçar isso mantém uma postura blasé do tipo "eu não me importo com isso".
Deveriam se importar.
DJ's e videomakers são figuras importantes na (in)formação de pessoas próximas; conhecidos, parentes, amigos: são estes aí que vão ajudar a formar a personalidade de seus pares.
Mas o que aconteceu?
Aquela velha piada/comentário que ocorre em fóruns de internet, quando alguém dá uma bola fora: maldita inclusão digital.
E inclusão comercial também.
Equipamentos de som e vídeo se tornaram muito acessíveis nessa década, de certa forma com algo parecido com o que ocorreu no início da década de oitenta, quando sintetizadores mais simples e baratos permitiram acesso de jovens pobres à música pop, o que possibilitou o tecno-pop, entre outros gêneros musicais.
"I like to hate you"
De certa forma, na época, o lance era dar voz aos "oprimidos", aqueles que não tinham a 'formação' musical nem o dinheiro dos músicos em voga na época. Uma "vitória" do movimento pós-punk. É possível encontrar isso hoje nessa explosão de djs e videomakers. Em alguns casos, isso revirou de novo a cultura. Pop ou não.
Ter muita gente com acesso a todos os tipo de cultura pelo mundo é interessantíssimo, quebra barreiras e permite novas formas de pensamento. Ponto.
Agora chega de desculpas, ok?
A maioria absoluta NÃO sabe o que fazer com essa informação.
Ou então como vejo na maioria dos casos, a informação do sujeito é como um queijo; cheia de buracos. E ele tem a pachorra de querer passar essa meia informação à frente. Sem a menor dor na consciência. Porque ele "descobriu" antes.


Um exemplo:
Sujeitinho reprimido tá no conforto da sua casa, com o pc ligado na net. Ele baixa a sua preferida do Coldplay no soulseek (ou qualquer outro programa que baixa músicas), e de repente, sem querer, vem junto uma música do Echo and the Bunnymen. Ele achou que era Coldplay. Ah! Esse cara também, por ser meio esquisito, mas ter uns amigos mais descolados (talvez tão esquisitos quanto ele, senão mais), descola um trampo de discotecar numa festinha ( a palavra trampo aí foi uma piada, certo?). E ele, todo orgulhoso, toca a "nova" do coldplay, se achando o máximo; 'descobri uma deles que ninguém ainda tocou, hehe'.
A cena acima é real. Eu presenciei. Mas nem precisaria.
Isso está aí, nos cerca.
É tipo aquela moda que aconteceu muito no começo dessa década: a festa trash anos 80.
O sujeito aí em cima resolve colocar numa festa todas as músicas que só ele gosta ou só ele teve a péssima idéia de desencavar. Já percebeu que todas essas festas tocam as MESMAS músicas?
Deve ser um pacote emule, não sei. Agora pergunta um cara desse se ele conhece, sei lá, um Talking Heads ou um Aus Pairs. Grandmaster Flash. Ou um Yazoo, Duran Duran, pra ficar no pop. A Madonna, a Cindy Lauper, ele conhece bem. Mais uns 3. Talvez não saiba nem quem é Bruce Springsteen. Esse aí, por incrível que pareça, assumiu uma aura de indie no Brasil. Só aqui mesmo, tsc.
Ele é DJ. Ele está cheio de músicas em seu pen-drive.
E ninguém vai questioná-lo.
Como ele é bacana!
Um figura intocável.
Ele viu um curta de um cara da Polônia.
O cara agora é dj.
O cara agora é videomaker.
E continua babaca.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Just like everybody else does


São por volta de 7:40 da manhã.
"I am the son"
Dentro de um carro.
"and the heir"
Chovendo.
"of nothing in particular"
Se fosse a noite, com aquele reflexo de luzes amarelas no asfalto, lembraria mais.
Engraçado quando isso acontece, não é premeditado.
Nostalgia? De quê?
A trilha sonora de alguma parte da sua vida te arrebenta e você, no máximo, acha aquilo uma bobagem. Porque são 7:40 da manhã de uma terça chuvosa, e nem 7:40 são de verdade, já que inclina-se a constatação de que é horário de verão.
Mas se nem as horas estão certas, porque eu devo me preocupar de estar lembrando de algo melhor que agora, 7:40 da manhã de um terça chuvosa?
"and the heir"
Algo melhor que agora, hunf.
É interessante notar como nosso cérebro transforma meia hora atrás em algo mais interessante do que foi no momento. Imagina um ano atrás. 5. ou 10.
"of nothing in particular"
Você faz isso com você mesmo somente quando as coisas estão mal?
Claro que não.
Nem estão mal.
Estão estranhas as coisas, "mas isso deve ser da idade", você pensa.
Ou nem pensa nisso.
Só deixa fluir, e se impressiona como coisas simples mudam de figura num estalar de dedos, sem que você perceba. Mas essas coisas não mudaram num estalar de dedos, você que demora a perceber.

Já estão mudando faz um bom tempo, não viu?
Você dá seta à direita, e muda sua rota, é algo automático.
Só percebe que diferença fez depois.
Que diferença isso faz?
Malditos cabelos brancos.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Fã-niquito

Fãs me metem medo.

Começar um post com uma frase assim, bom. Mais direto impossível.
Lembrem-se das religiões, tribos, seitas.
Crendices.
Me peguei um dia ouvindo "I wanna hold your hand", numa versão do reverendo Al Green.
Linda.
Caso típico e mais óbvio de fanatismo cego no mundo da música, a beatlemania já fez com que se queimassem discos e línguas.
E pelo menos uma morte direta.
Não se leve tão a sério assim.
Já ouvi fã dizendo que não se pode gostar de só uma fase dos Beatles, porque tudo, han, É Beatles.
Já vi fã de Beatles com 30 discos de TODAS as sessões de gravações de UM disco dos Beatles.
Isso é "baixável" nos dias de hoje.
Que coisa mais baixa...

Bom. Você é livre, preencha seu tempo como quiser, mas eu não quero ouvir let it be em 50 versões.
Na verdade, acho que já ouvi essa mais do que precisava em toda minha vida...
Gosto muito de Beatles, mas não gosto de Beatles de terninho.
Acho frouxo (acho que fui setenciado à pena capital por algum fanático neste exato momento, rs).
Acho frouxo porque uns sete ou oito anos antes dos Beatles de terninho aparecerem, caras muito mais selvagens já tinham feito verdadeiro estrago com a música popular americana.
Malditos sulistas assassinos de Gershwin, haha.
Adoro eles.
Quase todos negros, impossíveis de virarem pôsteres em quartos de adolescentes texanas de 62.
Ou das adolescentes classe-média brasileiras de 62. Ou 72.
Ou 2002...
Beatles levam meu crédito por conseguirem quebrar essa barreira, como Elvis antes.
É incrível como as pessoas levam a sério certas coisas.
Na verdade, todas as coisas.
Al Green certa vez largou a música "pagã" e voltou-se para a igreja.
Nem sempre é fácil lidar com dogmas.
Veja a cena de "Ray", quando Charles perverte um hino religioso em "I got a woman", o espanto de sua mulher. Ufa!
Acho que covers, se tem UMA razão de existir, devem ser assim. Pervertidas.
Claro que um artista pode brincar, ou entreter seu público ao vivo com músicas de terceiros.
Mas pra gravar em disco, é necessário o risco. (Na verdade deveria se pensar assim pra toda e qualquer canção que um "artista" deveria gravar, mas aí já fica pra outro tópico)
Que façam versões, não cópias.
As perversões, muitas vezes, como é de se esperar, geram negação.
E o cara pode errar também.
É o risco que ele se propôs a correr. (Quem não se lembra da maldita "versão" do Nenhum de Nós ( o nome já inspira a crítica) para Starman, de Bowie.)
Artistas brancos faziam ficar digeríveis canções de músicos negros para as classes A, B ou C.
Tanto o conteúdo quanto a forma (sim, no duplo sentido).
Os Beatles entendiam o processo, e evoluíram com ele.
Da evolução dos Beatles, improvável não admirar.
Evolução é individual, é de se esperar que alguém fique pra trás.
Provavelmente os fãs.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Drug me


Andei pensando, tem um tempo, sobre a relação de seres humanos com vícios. Alívio? Distração? Fuga? Não, não tenho certeza...
Música é o meu vício. Sim.
Sou apaixonado por cinema, artes, livros, até quadrinhos (hum, que pejorativo esse "até").
Não sou apaixonado por música pop. Sou viciado.
Isso não quer dizer que eu não adore música pop.
Mas são, pra mim, as músicas, como pílulas. Pílulas de 3 minutos, pílulas de 2 minutos, de 5. Tenho minhas droguinhas preferidas, as vezes preferidas do dia, ou da semana. Ou de sempre.


Lou Reed. Perfect Day. Uma droga de sempre. A mesma droga de sempre?
Música pop é música pop. Nada demais. Somente um vício. Induzido? Muitas vezes sim.
Seja por um comercial, pela rádio, por filmes. Pela vida afora.
Porque às vezes essa pílula (azul ou rosa?) entra pela sua boca (ouvido) sem você perceber, e você passa a congelar esse momento em sua vida, uma lembrança. Uma nostalgia.
Em certas circunstâncias, você nem lembra direito daquilo, e da pílula. Ou lembra de um assobio.
Eu lembro de um piano, com orquestração, bem cafona, isso mesmo.
Não lembro o momento, são vários momentos. Várias épocas.

video

A mesma droga de sempre.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Questão de Identidade

E depois de finalmente dormir uns tempos (um viva aos tarja preta!), nosso digníssimo blog digitando diretamente aos leitores lunáticos, volta à ativa.
Numa postagem abaixo, citei um termo que sempre me incomodou. "Rock nacional". Não por ser o rock Nacional, de Brasil. Poderia ser da China que me incomodaria da mesma forma.
O termo ROCK, claro, assim como punk, alternativo, hardcore, sempre foi usado de diversas formas, na maioria das vezes, de forma incorreta. O apelo, a ATITUDE (outra palavrinha usada à rodo), sempre foi usada com um único interesse, claro: vender.
Pois é amiguinho, tenho uma notícia triste pra lhe dar. Ramones, Britney Spears e Rolling Stones fazem parte de um mesmo saco; a indústria. Espero com toda sinceridade não ter sido, com essa declaração, a causa do suicídio de ninguém. "Como assim, feladaputa? Tá me dizendo que Britney Spears é a mesma coisa que Ramones, imbecil?". Hum... no sentido de mercado, sim! Pode ser que Joey Ramone não fosse tão culpado assim sobre isso (não que eu ache isso) como a Britney ou Madonna (pobres garotas!) mas a indústria se apropria dessa atitude para cada público. É a calça rasgada de Joey que vai vender pro público "x", as pernas da Britney que vão vender por público "y", e a nostalgia vai vender Beatles pro público "z".
No fim, é tudo marcação colorida num quadro branco dentro de uma sala de engravatados. O cara tá lá tocando num pardieiro, manda seu público se foder, a platéia acha radical. Um dia passa um senhor respeitável, vê aquilo e diz: Dólares! E aqueles caras tocando num boteco de quinta em NY estarão prontinhos, encartados, distribuídos no sul do mundo para filhos de diplomata da capital de um país qualquer, para filhos de operários de um cidade suja desse mesmo país. Ou outro.
A termologia. É só para dividir tudo em prateleiras. A britney vai ficar do lado da Madonna. Os Stones podem até ficar do lado dos Ramones, pois "é tudo rock!". Querer dividir para um público que não tem uma real identidade com "cultura rock", pois aquilo não faz e talvez nunca fez parte de SUA tradição o que é rock, punk, indie, no mínimo, é pretensão. Fica pra estudioso. Ou gueto. Ou nerd. Não pra megastore. Não para a novela. Não para o ouvinte médio.

O Brasil não é o país do rock. Nem do punk. Muito menos é alternativo. Nunca foi alternativa. Sim, é do samba, do candomblé, do axé e do forró. Apropriações são boas e até necessárias. E gosto é o que mais perto do que se tem de uma noção do ideal de democracia.
Grupos e artistas interessantíssimos já surgiram nesse país e em outros graças a misturas de culturas, algo que realmente não deve fixar fronteiras. Desde que se conclua que, fronteiras e prateleiras são tolices.
E a maior de todas as tolices, pelo menos para este que aqui digita, é a prateleira chamada "rock nacional".
Tsc. Bom, eu não sei nadar. Nunca soube. Quando criança, minha mãe me enfiou em várias escolinhas de natação. Já morei em cidade litorânea também. Não é questão de opção nem dificuldade física. É mental mesmo, rs. Tenho pêlos demais pra não me considerar meio macaco. Já reparou como se isola esses nossos (pelo menos meus) meio-irmãos em zoológico? Circulam-os com água. Macacos não gostam de água. Só pra beber. Deixo o lance de nadar com peixes. Anfíbios. Répteis.
Sei que muitos nadam. Na verdade, no desespero, qualquer mamífero nada. Talvez até eu, macaco. Mas nasci pra aquilo? Definitivamente, não.
Talvez por isso, em minha cabeça de meio-macaco, o termo "rock nacional" não se aplica. É uma fronteira que não me diz nada. É uma prateleira com brinquedo defeituoso. Porquê?
Porque simplesmente não tem lógica. Sim, acredito num contexto, independente do que a indústria acha disso. Ela, a indústria, achar que passando de 3 minutos o rock vira progressivo, tudo bem. Talvez eu concorde. Ela achar que a garota que não tem voz, mas é gostosa, é pop, beleza! Mas rock nacional, não, por favor.
Rock vem de um contexto totalmente fora do de qualquer outra nação que não a americana. Os ingleses? Bom, eles tem conexões óbvias de in-dependência americana (assim como funciona na minha cabeça a austrália, por exemplo).
Mas se surgir uma banda, mesmo que tenha todos os elementos do chamado ROCK, na Índia, eu vou chamar de de música indiana. Influência de rock, mas música indiana. O Mano Negra pra mim, é música francesa. Tem influências latinas? do rock? sim. Mas surgiu num contexto totalmente francês, numa visão daquela região européia. Perto dos ingleses, mas com um pensamento, uma cultura que os separa, pra depois os reunir.
Sinceramente.
Eu adoro o Ultraje a Rigor, mas eles teriam lógica em algum outro país que não aqui? O contexto era outro. Os anos oitenta no Brasil foram anos de abertura. Política. Social. Cultural. Mas aquilo é música brasileira. Tem coisas de rock ali, mas é música brasileira. Porque é a cultura daqui. Aí existe a fronteira; por mais que você admire seu vizinho, use o mesmo tênis que ele, ache a grama dele mais verde, a sua escova de dente ainda é sua; e você não quer que ele ponha a mão. É natural isso. É a velha questão de posse. Você tem sua cultura. Admire a cultura dos outros, seja aberto a sua experiência, mas você não vai conseguir mudar seu local de nascimento. Simples assim.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Falta Malandragem e Coragem (Parte 02)





Uma pista de skate. Eu só me arrisquei uma vez, não caí, não foi a primeira e a última por medo, dor. Meu lance era bicicleta. Cross, não essas que ajudam a subir morro.
Era moleque, 9, 10 anos, não era xiita com música, cinema, tv. Mas tinha boas referências, fosse em casa com os irmãos mais novos de minha mãe, fosse na rua, na praça, no half pipe.
Nessa época, hardcore era hardcore. Ningúem queria saber de rádio, "MTV get off of the air" era o lema (aqui nem existia MTV, rs). Eu era novo, mas as vezes andava de bicicleta perto de uns caras mais velhos, ali na pracinha do skate, ou jogava bola na rua e o cara de 15 anos aproveitava a saída dos pais para por o som no talo, chegando na rua. Por intermédio desses caras, um pouco mais, hun, "descolados" (ê palavrinha), ouvia de rebarba Dead Kennedys, Grinders, Ramones, REM, Sepultura, Clash, T.S.O.L., Metallica, Husker Du, Bad Religion, Red Hot Chili Peppers, Living Colour, etc.
Esse povo era malandro. No bom sentido, se é que existe e deve haver malandro no bom sentido. Acho que não. Esse povo era malandro, e só. O povo da rua. As bandas de rua. Claro que na época eu ouvia os reis do rodeio Dire Straits e Queen fase comédia, eu era moleque, pô. Ouvia os rocks nacionais que circulavam direto também. Hoje aprecio menos, assumo, principalmente o termo "rock nacional". Mas isso é outra estória.


Nessa época aí não havia internet. Informação musical? No máximo, umas revistas bizz achadas em casa, ou aqueles programas de tv que passavam clipes na manchete...
Mas informação boa estava nas ruas.
Vejam os garotos de hoje. Criados em apês. Medo generalizado. Filho da minha namorada tem 11 anos e nem sabe o nome do vizinho da mesma idade.
Mas tem a internet. Bem asséptico. Amigos vituais. Ninguém cai da bike. Muita informação. Pouco uso.
Fica difícil mostrar o nariz que deve ser socado. Quando era moleque, entre amigos houve uma disputa na rua. Corrida de bicicleta. Um amigo queimou a largada, me fechou e saiu na frente. Era uma volta no bairro. Eu esperei ele dar a volta. De longe ouvia ele gritando, me zuando em cima da bicicleta nova dele. Eu esperei em pé, segurando minha bicicleta. quando ele passou, a minha pobre bike escorregou de minhas mãos e fez com que ele voasse. Foi lindo. Entre amigos, ficamos acertados que eu deveria tomar um soco. Normal.
Como cobrar atitude de verdade, essa palavrinha hoje até mardita, de uma banda de rock atual? de garotos tão limpos?















Matam a música popular constantemente (meu lado punk diz graças a Deus!), o rock morreu, o samba acabou. Impossível isso.
Estão matando realmente a sujeira, a safadeza, a gana. A malandragem.
Os moleques estão aceitando ficar presos em casa. Montam banda tardiamente, quando estão na faculdade, ou com os colegas de condomínio.
Rock bom é o safado, o Red Hot Chili Peppers implorando a MTV para que ela os toque, num hardcore veloz de 2 minutos. Terminando com um riff de gun'n'roses, tirando uma onda legal.
Hoje o Red Hot toca em shopping. Baladinhas FM, triste.
Assim como o Metallica bom era aquele do speed metal, de garotos descabeçados. Metallica hoje processa os fãs.
E o samba bom era quando Mussum, malandro, velho de guerra, declamava:
Lá no morro,
quando eu olho pra baixo,
acho a cidade uma beleza.
"O povo!":
Equandoeutônacidadequeeuolhopracimameucumpadre,
fico contemplando a natureza...

Falta Malandragem e Coragem (Parte 01)

Sou atleticano. É. Galo!
Um dia parei para pensar porque torço para este time. Não é nem nunca foi o mais vitorioso. Teve as suas vitórias e glórias, claro. Não é o de maior torcida. É das maiores, senão a mais apaixonada. Pergunte para algum atleticano se não é verdade.
Mas não é questão de tamanho.


Lá pelos meus sete, oito, nove anos? (data exata desse momento eu não tenho), eu ja era atleticano, porque você nasce assim, não tem dessa de virar depois. Mas tem um momento, que se estou certo é por volta dessa época da minha vida que explica porque sou atleticano.
Éder Aleixo.
Éder, nunca conheci ao vivo, mas hoje em dia na tv, parece um cara tranquilo, sereno. Mas quando jogava bola era o diabo. Edmundo era peixe, na língua de Romário.
Nessa época, eu pouco ia a estádios, via muito o futebol da tv. Minha família é de cruzeirenses, daí a razão de poucas visitas ao mineirão quando moleque, acho. Lembro que muitos jogos, eu só via os gols, quando chegava da escola, na hora do almoço, panela de pressão fazendo aquele barulho de "faltam 5 minutos". E foi nesse dia, que se um dia eu tiver de postar algum tipo de depoimento e explicar, "Porquê?", eu vou dar a resposta.
O time jogava contra um rival do interior, campeonato mineiro, acho. Sinceramente, não me lembro muito bem do jogo. Mas lembro o que me chamou atenção. Vejamos, acho que a ordem foi essa:
Éder abre o placar.
O time adversário empata.
Éder de novo.
O outro time de novo.
Éder xinga o time do Galo.
O outro time vira, próximo ao fim da partida.
Éder está puto.
Falta para o Galo.
Isso na época, amigo, é gol de Éder.
Tá no filó!
Éder.
Que sai correndo xingando o time e desce para o vestiário.
O jogo não havia acabado.
Técnico do Galo desesperado.
Põe outro no lugar!
Torcida grita Éder.
Éder Aleixo.
Atleticano.
Como não se vê nos campos ultimamente.
Ah, quem se importa com resultado?
No futebol de hoje, tudo parece lenda.
Principalmente os craques.




p.s.: Para quem se importa, a partida terminou 3x3. Contra quem? Eu sei lá...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Tá osso!


Cachorros são legais porque latem. Se falassem...


Deus, Religião, Sexo e Violência -

Para o sexo (em geral):
Violência pode ser usada com moderação ao gosto de cada um.
Religião é uma forma de controle.
Deus não está vendo.

Para as religiões (em geral):
Sexo é para que existam mais fiéis no futuro.
Violência é uma forma de controle.
Deus é um grande e bonito bolo de chocolate com cereja, recheado de veneno.

Para a violência (em geral):
Sexo é uma forma para a religião, mas Deus perdoa.

Deus?

segunda-feira, 17 de março de 2008

Lazy Days

Amigo meu esse fim de semana me ligou: "alex, preciso do meu 'jardineiro fiel' que está com você." O dvd tava comigo não porque eu queria vê-lo, já que tenho uma cópia, mas porque num encontro de bar outro amigo em comum estava com o filme dele, o rapaz não foi encontro etílico, logo eu fiquei com o filme "porque vejo o sujeito em questão mais assiduamente". No problemo.


"Pois é alex, tô querendo pegar o meu filme com você para eu ver". Bem, disse eu: "qual a necessidade disso?". Ele rapidamente: "como assim? o filme é meu!". Bom, eu sei que o filme é dele, e nunca tive intenção de ficar com o mesmo, ainda mais, como já disse, tinha um igual, logo não precisava. Quanto a isso de empréstimos não devolvidos devo ser o maior passado pra trás do universo, já dancei legal nessas. Mas não era essa a questão, então retornei: "pra quê você quer ver um filme que você já viu? Esqueça a resposta prática de posse" Sabia que a primeira resposta seria a idiota: "Porque é meu!". Ele : "Como assim?".

Bom, para qual motivo você vai ver de novo um filme que já viu? O que te faz pensar que absorverá algo de novo com isso? É o mesmo filme, você não se tornou uma pessoa melhor ou pior desde então (não quero entro nesse quesito, ok?). "É porque eu quero fazer uma pesquisa, ora bolas.", disse ele. Se ele não se lembra de nada do filme, logo este não teve nem terá peso algum em suas considerações. "É porque eu vi meio corrido..." Bom, logo a necessidade do filme era menor.
Comentei que no século XIX, com muita sorte, alguma pessoa ouvia a 5ª Sinfonia de Beethoven uma vez, se fosse um nobre, um rei, talvez duas, ou três vezes. Somos peões na conversa, vimos o filme uma vez, qual a necessidade de outra?


"Ah, mas são outros tempos, são dias mais corridos, não dá para comparar..." É. Não dá. Temos mais informação, nós, um indivíduo, eu, você, do que toda a idade média, e não sabemos fazer nada com isso.
"vai devolver ou não? Meus créditos estão acabando..."
Os créditos estavam acabando. Pegue comigo na segunda, tchau.






(*) Não empresto mais discos ou filmes. Isso é bem idiota de se falar, já que é só questão de posse. Já vi ou ouvi ( e continuo fazendo isso) tudo o que está ali, muitos mais de uma vez. O sistema fascista fez de mim um imbecil.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Sputniks foram maiores que os Beatles

Dia desses fiquei pensando no problema que sempre tive com reggae, o estilo musical. Vejo o valor, mas nunca via a necessidade. Os verbos sinalizam os porquês.


Entendo o reggae como o tal grito do terceiro mundo (isso é bem patético, há); como um estilo musical singular; que marley, tosh, livingstone, perry, robbie, entre outros (muitos) tem um talento musical imenso. Mas sempre tive problemas com reggae. Essa parte, ok, foi a do valor.

A disco music sofreu preconceitos. Pode-se escre/ver isso com caixa alta. Preconceito. "Disco sucks", protesto feito por rockeiros e agentes brancos. Negros e/ou homossexuais fazendo sucesso? Ahh, isso minha democracia americana nunca permitirá, pelo menos não por um tempo maior que o de um Problema. E a música disco é enterrada. E depois executada por rockeiros brancos, há. Lembrem de "da ya think i'm sexy?", de rod stewart, ou "miss you", dos stones, entre muitos outros. Não se preocupe, o reacionário em você gostou. Assim como gostava quando esses mesmos sugavam a black music dos anos 50 e 60. Isso tira um ou dois méritos de faces ou stones, mas não a ponto de reduzí-los a lixo. Discos excelentes foram feitos a partir dessa reciclagem, uma palavra amena para o rock "furioso".
Gosto de the clash, mas não ouvia reggae. Novamente os verbos. A fusão de ritmos, acho isso interessante neles, sabem mesclar. Reggae. Seria um preconceito meu?
Também sou fã demais de little richard pra ter preconceitos desse, hun, estilo. Me permito outros, assumo.
Sempre tive problemas com boys. Não rudeboys. Aqueles seres criados com toddy, bate-estaca e academia, cultuadores de corpos suados e tatames, um certo tipo homoerótico que não me convence, que não me atrai como richard (abro aspas aqui para também me assumir como fã de misfits, 'massa sonora', he).



Eles (os boys, mauricinhos 'na onda' inclusos) destruíram o reggae pra mim. Minha adolescência ficou marcada com isso. Fã de reggae "sarado", que ouve reggae 'pra pegar muié'. uff. dói.

Tentando uma conclusão disso: você pode gostar ou passar a odiar uma música ou estilo musical por motivos além da própria música. Foi a conclusão mais óbvia e tola deste blog até então, mas impossível não ser dita. Pessoas ao redor, momentos, ou, como diria dylan, melancias, podem direcionar seu gosto. Seja musical, seja cinematográfico, seja social.
Fãs e guetos podem detonar um artista para pessoas fora dele, não que as vezes eles não mereçam, mas é sacanagem pensar que raul seixas merecia seus próprios fãs. Já os do jota quest...
Ah! Voltando ao indivíduo VOCÊ. Não pense que seu gosto estritamente pessoal vai alterar o mundo ao seu redor. É uma escolha individual, ninguém lucra com barreiras, a não ser que você tenha lucros com pedágio. E uma banda durar 40 anos não significa nada, assim como o gosto e as vontades de alguém que não muda, e assim como um diretor filmar o mesmo filme de dois em dois anos. Com isso, são duas frases panfletárias num só parágrafo. Bob marley é gênio. Peter tosh era mais. Confio nesse tempo verbal. Ahn, três frases.


* - sputniks duraram um mês de ensaio e um ou dois shows, acho. roberto, erasmo, tim e jorge se deram bem com isso, com certeza.